| Carta em resposta a uma astróloga
que critica os céticos.
O texto que segue é uma resposta à
carta que se encontra online nesse endereço: Carta
ao cético
Cara Divani Morgames Terçarolli,
Em sua "Carta
ao Cético", você se utiliza de uma argumentação
extremamente tendenciosa para ridicularizar as pessoas que têm
como base a razão, e não a superstição,
para moldar suas ideologias. Tendo em vista o caráter público
de que tal texto goza em site de grande visitação,
vejo-me na obrigação de exigir um direito de resposta.
Você afirma que a astrologia é vítma de "algumas"
pessoas que falam a respeito do que não entendem. Como esta
lista inclui nomes do gabarito de Carl Sagan, Isaac Asimov, Richard
Feyman, Richard Dawkins, Bertrand Russel, Arthur C. Clarke, Albert
Eistein, Umberto Eco, Stephen Jay Gould, James Randi, José
Saramago, entre inúmeros outros, cabe a mim perguntar se
você, que obviamente já atingiu um patamar de contribuições
para a nossa sociedade que rivaliza com as destas pessoas, é
que não estaria precisando de um pouco mais de humildade.
É certo que seu texto se utiliza da mesma forma do argumento
de autoridade, mas o faz citando apenas pessoas que, por mais geniais
que tenham sido, viviam séculos atrás e não
dispunham dos métodos de observação e pesquisa
atuais. A genialidade não tem como suplantar o desconhecido.
Os nomes mais recentes são Carl Jung e Fernando pessoa, um
psicólogo e um poeta, ambos mortos há muito. Considerando-se
que você deve ter buscado avidamente por tais nomes, essa
escassez na verdade depõe contra a astrologia, e não
a favor.
Sua intenção, comum a defensores da astrologia, é
rotular os praticantes da ciência que você denomina
"oficial" como obtusos, reacionários e manipuladores.
Primeiramente, não existe tal separação entre
ciência "oficial" e "não-oficial".
Existe apenas ciência. Ponto. Para um estudo se enquadrar
nesta categoria ele precisa ser conduzido com base em uma metodologia
observável, objetiva e replicável, que produza sempre
os mesmos resultados em circunstâncias idênticas para
diferentes pesquisadores, ou que em contrapartida forneça
explicações de como e porque estes resultados podem
ser diferentes. Trocando em miúdos, que funcione. A astrologia
não preenche estes requisitos e, se há pessoas obtusas,
reacionárias e manipuladoras, certamente os astrólogos
seriam ótimos representantes de classe.
Diferente do que o seu texto afirma, muitos cientistas já
dedicaram e continuam dedicando seu tempo a estudos sobre astrologia.
Afinal, se a astrologia funciona realmente, ela pode ser testada.
Como cada signo carrega consigo certas características de
personalidade e conduta, análises de amostragens de pessoas
com as mesmas características ou vocações,
por exemplo, deveriam mostrar desvios estatísticos relevantes
com relação aos signos que favoreceriam, segundo os
astrólogos, tais predisposições. O fato é
que de vários estudos já realizados, nenhum deles
obteve resultados que condizam com esta alegação da
astrologia. Em todos eles, as distribuições acontecem
como deveria se esperar em um processo gerado por simples chance,
sem influências externas. Para maiores informações,
cito no final do texto uma lista(*atualizada) de tais estudos (infelizmente
a maioria não pode ser encontrada online).
Obviamente, astrólogos se opõem a estes tipos de
teste. Usam como argumento o fato de que apenas o signo solar não
é suficiente para determinar o perfil de uma pessoa, e que
é necessária a análise de todo o mapa astral,
já que existem diversos outros fatores, como o signo ascendente,
a posição da lua, etc., que podem até mesmo
cancelar a influência do signo solar. Mas se isso é
verdade, então um grupo de pessoas de um signo não
teriam mais em comum entre si do que qualquer outro grupo de pessoas
de signos variados, e se isto é verdade, eu me pergunto por
quê astrólogos continuam dizendo que nativos de tal
signo são assim ou assado? Ou de onde eles tiraram a significação
destes signos, pra começar?
De qualquer forma, para refutar tal argumento, cito um teste feito
pelo australiano Dr. Geoffrey Dean (1987). Ele selecionou 60 pessoas
extremamente introvertidas e 60 pessoas extremamente extrovertidas
(ou seja, dois grupos bastante diferentes entre si), e enviou os
mapas astrais destas 120 pessoas para 45 astrólogos profissionais.
Os astrólogos teriam que descobrir, analisando os mapas,
quais eram os introvertidos e quais eram os extrovertidos. Mais
uma vez, o desempenho dos astrólogos decepcionou. Acertaram
em apenas metade das vezes, o equivalente ao atirar uma moeda para
cima e decidir com base no resultado (Talvez devamos simplificar
toda a astrologia e usar moedas em vez de mapas astrais). Você
poderá encontrar mais detalhes a respeito destes testes neste
texto traduzido de Ted Schultz:
Testes
Científicos da Astrologia
Claro que, mais uma vez, astrólogos se revoltam contra estes
testes. Entretanto, todos foram feitos cientificamente. Me parece
estranho que pessoas que afirmem que a astrologia é uma ciência
(ou "tecnologia", como você afirma) saibam tão
pouco a respeito da própria área de atuação...
No que voltamos à história do falar sobre o que não
se conhece ("obtusos") e nas lições de humildade.
Tais testes tornaram claro que astrologia não funciona.
Mas para não deixar qualquer dúvida, deixemos a estatística
de lado e usemos a física. Astrólogos afirmam que
existe alguma força nos planetas que influencia às
pessoas. Peço que você analise comigo tal possibilidade.
Qual seria essa força? Existem duas opções.
Ou é uma força conhecida, mas que tem infuências
ainda desconhecidas nos seres vivos, ou é uma força
totalmente desconhecida. Todas as forças conhecidas, incluindo
a gravidade (uma das favoritas dos astrólogos), são
dependentes da distância. O médico que efetua o parto,
por exemplo, exerce maior força gravitacional sobre o bebê
do que a Lua. Portanto, haveria influências muito maiores
do que os planetas na hora do nascimento, o que invalida a primeira
possibilidade. Resta a segunda, de que tal força seja desconhecida.
Entretanto, tal força não pode depender da distância,
já que não faz diferença se um planeta está
do "mesmo lado" do sol que a terra ou se está na
posição oposta. Importa apenas a direção
em que este planeta se encontra no céu. Oras, se tal força
é independente da distância, não deveríamos
ter que incluir todo e qualquer planeta, neste ou em outros sistemas
solares? Existem diversas outras incongruências sem resposta,
como as discussões a respeito de se levar em conta ou não
as mudanças no eixo da terra, incluir "novos" planetas
ou não, do porque se utilizar a data de nascimento e não
concepção, como fica o mapa astral de alguém
que venha a nascer em outro planeta, etc... Na melhor das hipóteses,
mesmo que existisse alguma forma de influência, você
não teria a menor idéia do que estaria fazendo. Obviamente,
todas estas questões envolvem conhecimentos de ciência,
e me pergunto, agora, se você age com relação
à ciência como diz que os cientistas agem com relação
à astrologia, ou realmente entende alguma coisa a respeito
do que tenta refutar. Tudo o que existe na astrologia é arbitrário.
Listas criadas por pessoas idôneas ou não, mitos, lendas,
superstições. Em grande parte textos antigos que não
levam em consideração os progressos da ciência
(e aí que entra o "reacionários").
Mas se a astrologia é uma impossibilidade tanto prática
quanto teórica, porque continua fazendo tanto sucesso? Na
verdade, ela não faz sucesso porque funciona. Ela faz sucesso
porque há clientes satisfeitos. Isto não significa
que a astrologia tenha qualquer capacidade de prever o comportamento
humano de forma mais precisa do que qualquer método aleatório.
Bons astrólogos possuem bons conhecimentos de psicologia
(empíricos ou acadêmicos), e sabem muito bem como montar
seus textos e previsões de forma a conter o mínimo
de informação verificável e muita informação
subjetiva. Utilizam-se do fato de que as pessoas costumam estar
predispostas a selecionar e guardar o que parece com elas, e esquecer
o que não parece (por fim, chegamos ao "manipuladores").
É possível que uma boa parte dos astrólogos
realmente acredite no trabalho que faz, apesar de todas as falhas
e incongruências. Pessoas são falíveis. E certamente
há os que perceberam em seu dia-a-dia todos estes problemas,
e já não acreditam mais no que fazem, mas continuam
utilizando a astrologia como uma boa fonte de renda. Para estes,
pelo menos, vale lembrar que charlatanismo é crime. Eu não
sei em qual categoria você se encontra, mas as omissões
intencionais em seu texto não me trazem muito alento quanto
à sua própria idoneidade.
O único universo no qual a astrologia funciona é
o subjetivo, dentro da cabeça daqueles que acreditam nela.
Qualquer tentativa de um astrólogo em legitimizar tal prática,
colocando-a no mesmo patamar de ciências sérias e verificáveis
é, portanto, não apenas risível, mas bastante
irresponsável. Não precisamos de mais uma forma de
racismo. Ou você acha que a pessoa que diz que não
quer se relacionar com alguém de tal signo está sendo
menos racista do que aquela que diz que não quer se relacionar
com alguém de tal "cor"? Precisamos deixar essas
fórmulas mágicas de diagnóstico para trás
de uma vez por todas e respeitar a individualidade de cada um, esta
sim o seu verdadeiro signo.
Atenciosamente,
NightHiker
Livros:
Culver, B. & Ianna, P. Astrology: True or
False. 1988, Prometheus Books.
O melhor livro escrito por céticos a respeito da astrologia.
Repleto de informações interessantes.
Benski, C., et al. The Mars Effect. 1996, Prometheus
Books.
Um teste bastante técnico das alegações de
Michel Gaugelin e sua "nova-astrologia", mostrando que
elas não funcionam.
Biswas, S., et al., eds. Cosmic Perspectives.
1989, Cambridge U. Press.
Uma antologia com excelentes examinações das evidências
contra a astrologia, por I. Kelly, R. Culver e P. Loptson.
Artigos:
Abell, G. "Astrology -- Its Principles and Relation and Nonrelation
to Science" in The Science Teacher, Dec. 1974, p. 9.
Carlson, S. "Astrology" in Experientia, vol. 44, p. 290
(1988).
Carlson, S. "A Double Blind Test of Astrology" in Nature,
vol. 318, p. 419 (5 Dec. 1985).
Dean, G. "Does Astrology Need to be True?" in Skeptical
Inquirer, Winter 86-87, p. 116; Spring 1987, p. 257.
Dean, G., et al. "Astrology" in G. Stein, ed. The Encyclopedia
of the Paranormal. 1996, Prometheus Books, p. 47-96.
Fraknoi, A. "Your Astrology Defense Kit" in Sky &
Telescope, Aug. 1989, p. 146.
Kelly, I. "Modern Astrology: A Critique" in Psychological
Reports, 1997, vol. 81, p. 1035.
Kelly, I. "The Scientific Case Against Astrology" in
Mercury, Nov/Dec. 1980, p. 135.
Kruglak, H. & O'Bryan, M. "Astrology in the Astronomy
Classroom" in Mercury, Nov/Dec 1977, p. 18.
Kurtz, P. & Fraknoi, A. "Scientific Tests of Astrology
Do Not Support Its Claims" in Skeptical Inquirer, Spring 1985,
p. 210.
Kurtz, P., et al. "Astrology and the Presidency" in Skeptical
Inquirer, Fall 1988, p. 3.
Lovi, G. "Zodiacal Signs Versus Constellations" in Sky
& Telescope, Nov. 1987, p.507.
Nienhuys, J. "The Mars Effect in Retrospective" in Skeptical
Inquirer, Nov/Dec. 1997, p. 24.
Rotton, J. "Astrological Forecasts and the Commodity Market"
in Skeptical Inquirer, Summer 1985, p. 339.
Atualização: Ela
responde. E eu retruco. Ela desaparece:
Divani, round 1:
Em branco
NH, round 2:
Cara Divani,
Devo considerar um email em branco a sua resposta?
Encaminhei um pedido ao BOL de direito de resposta, e extendo-o
a você também. Ou isso, ou a reitrada de sua carta
do ar. Estou disposto a entrar com uma ação na justiça
para conseguir uma das duas. A opção é de vocês.
Simplesmente estou cansado de ver pessoas sem qualquer qualificação
tendo espaço na mídia para escrever o que bem entenderem,
sem arcar com as conseqüências.
Atenciosamente,
NightHiker
P.S.: Regulamentar o quê?
Divani, round 2:
Caro senhor ninguém,
Devo considerar um email em branco a sua resposta?
Alguém que se esconde atrás de um pseudônimo
não merece mais do que uma resposta em branco.
Encaminhei um pedido ao BOL de direito de resposta, e extendo-o
a você também. Ou isso, ou a reitrada de sua carta
do ar. Estou disposto a entrar com uma ação na justiça
para conseguir uma das duas. A opção é de vocês.
Se quiser pedir a retirada do texto é um favor que estará
me fazendo, visto que eu não coloquei nenhum texto nesse
site Bol, nem possuo qualquer vínculo com eles; e assim não
terei o desprazer de receber e-mails anônimos.
Simplesmente estou cansado de ver pessoas sem qualquer qualificação
tendo espaço na mídia para escrever o que bem entenderem,
sem arcar com as conseqüências.
Qual é a sua qualificação? Se você nem
ao menos tem um nome? Eu escrevi e assinei. Não escrevi para
esse site, escrevi para uma pessoa específica, "O Cético"
(da Revista da Folha), coluna que nem existe mais. Você assume
suas opiniões? Porque não assina seu nome real? O
que vc tem a perder?
Aguardo a grande revelação, assim talvez possamos
tentar dialogar.
Atenciosamente,
Divani Mogames Terçarolli
ABA - Associação Brasileira de Astrologia
SAESP - Sindicato dos Astrólogos do Estado de São
Paulo.
NH, round 3:
Divani,
Como alguém que chama cientistas renomados e do gabarito
de um Richard Feyman ou Carl Sagan de "pessoas que não
sabem do que falam" pode estar preocupada com qualificações?
Nem se eu dissesse que sou o Papa resolveria, já que você
também critica a religião católica (único
ponto em que concordamos, apesar dos motivos diferentes). De qualquer
modo, meu nome ou minha qualificação não são
importantes, e sim meus argumentos. Citei todas as fontes, que estão
devidamente documentadas. Não me importa se você assinou
com o seu nome verdadeiro ou como Powerpuff Girl. O que me interessa
são os argumentos apresentados em seu texto. Estes sim podem
ter validade ou não. Em segundo lugar, não se trata
de um pseudonimo, mas um nom de plume. Acredito que a senhora saiba
o significado deste termo. O fato de não ser meu nome de
batismo não significa que eu não responda por ele
ou que eu não me responsabilize totalmente pelos meus argumentos,
os quais, aliás, você ainda não refutou.
Algo me diz que se você tivesse como refutá-los, o
fato de eu não ter colocado um "nome" não
teria importância. Como todo astrólogo, você
vive da ignorância da maioria e usa de subterfúgios
quando acuada por alguém que utiliza o peso do cérebro
para algo mais do que manter o equilíbrio do corpo enquanto
anda.
Se você tiver coragem de argumentar com alguém bem
informado, sinta-se a vontade. Estarei no aguardo.
Quanto à questão do BOL, me parece que a origem do
texto foi o site Estrela Guia. Minhas fontes dentro do BOL me dizem
que todos os textos do Estrela Guia são utilizados em regime
de parceria, e que todos os que escrevem para lá assinam
um termo de responsabilidade e sabem que seus textos serão
publicados no BOL. Mesmo que esta informação se mostre
equivocada, a autoria é sua, e deverias então, se
não estás disposta a responder a leitores mais informados
do que seus clientes habituais, procurar por ambos os sites e pedir
a retirada. Ademais, se eles se utilizam dele sem autorização,
estão infringindo a lei.
De qualquer maneira, se você fizer realmente muita questão
de saber qual é o meu nome, terá oportunidade de fazê-lo
quando da entrada da ação judicial na ausência
de medidas suas ou dos outros sites.
Atenciosamente,
NightHiker
Divani, round 3:
Nocaute por W.O.
Conclusão:
Até agora astrólogos continuam sem resposta. Se você
é um(a) e sente que tem realmente algo a contribuir para
a discussão, com argumentos, sinta-se à vontade. Sua
carta será publicada na íntegra.
P.S.:
Para quem está curioso, acabei não tendo condições
de entrar com um processo, por questões burocráticas
e falta de tempo meu. Mas considerei publicar esta discussão
uma resposta suficiente até o momento. Sinta-se à
vontade em divulgar esta página o quanto você quiser.
Precisamos acabar com essas práticas de estelionato.
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